Dia da Imigração Finlandesa: da Estrela Polar ao Cruzeiro do Sul

Hoje, 28 de janeiro, é o Dia Municipal da Imigração da Finlandesa em Itatiaia. Para homenagear os imigrantes nórdicos que resolveram viver aqui, no pé da serra da Mantiqueira, o Penedo.Com reproduz um poema declamado pela primeira vez há 36 anos, em janeiro de 1979, quando dos 50 anos da imigração finlandesa em Penedo.

A declamação inaugural aconteceu no dia da inauguração do Largo Finlândia e do Marco do Cinquentenário, a linda escultura do finlandês de Penedo Ville Virkkilä comemorativa dos 50 anos da colônia, em cuja base está a inscrição “com gratidão ao povo brasileiro” pela hospitalidade.

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O Marco do Cinquentário está lá, para o hospitaleiro povo brasileiro visitar, a céu aberto e sem horário de funcionamento, bem no meio do largo que um dia já foi o “centro” de Penedo, onde ficam ainda o Museu Finlandês e a sede social do Clube Finlândia. Basta chegar e apreciar as seis aves migratórias em ferro fundido em seu voo transocenânico em direção à magia do trópico.

E é desse voo da Estrela Polar ao Cruzeiro do Sul que se trata o lindo poema de Lempi Ikävalko, intitulado justamente… bem, com vocês, “Como revoada de pássaros”:

Através de vastos oceanos,
qual revoada de pássaros
partiram nossos jovens pais
para um destino desconhecido…
Adeus Terra da Estrela Polar
adeus lagos azuis, campos de neve,
adeus bosques sagrados dos antepassados…
Tinham somente a Fé
e os sonhos como guias…
E lá bem longe,
a “fata morgana” os acenando…
Para criar o novo mundo de ideais
traziam o trabalho de suas mãos
e a força teimosa das gerações passadas…
Sem visar lucros materiais
cheios de Fé em Deus
e esperança na Natureza,
com cada grão semeado na terra
plantavam também sua crença
no novo, na nobreza, na fraternidade humana…
Como é dura a canção do pioneiro…
É tão feia esta terra dos homens…
Os reinos desapareceram
com seus soberanos…
As guerras devoraram
inocentes e culpados…
O desespero tomou conta do mundo…
Que é do trabalho das nossas mãos?
E surge a pergunta atroz:
– Devemos morrer aqui
nos nossos campos de viveiros?
Aqui trabalhamos com Fé,
cantando às vezes,
outras, contendo as lágrimas…
Muitos irmãos partiram desesperados…
Mas… Os nossos filhos? Nós mesmos,
o nosso belo sonho?
Com a perseverança dos antepassados
vimos passar os anos de provações…
Unidos continuamos a lutar
sonhando novamente…
Entre o verde das florestas
cantaram os pássaros
correram as águas do riacho
cresceram as árvores frutíferas
ergueu-se a nova geração…
O futuro pertence a quem tem Fé
e vontade de trabalhar…
Cinquenta anos se passaram
numa sequência de sonhos…
Aos irmãos que jazem sob a terra cálida
nossas lembranças e gratidão…
Aos nossos filhos
a bênção da terra florida…
Esta a recompensa do sonhador
criar sempre algo novo para os outros…
E duas luzes brilham
em nossos corações
A Estrela Polar e o Cruzeiro do Sul
uma de saudade a relembrar… Finlândia…
outra de gratidão a proclamar… Brasil…

O caso de amor e sabor entre os finlandeses de Penedo e a rainha das frutas tropicais

Uma das mais famosas fotografias de toda a história da única colônia finlandesa do Brasil é uma em que dois imigrantes, o ainda menino Timo Aaltonen e o já escolado na vida Harry Bertell, aparecem sorridentes e orgulhosos, bem na roça, diante de algumas dúzias de laranjas arranjadas com cuidado no chão de terra para formarem letra por letra o nome do seu pedaço de paraíso: “Penedo”.

Fossem mangas em vez de laranjas as frutas usadas na brincadeira que se eternizou pela lente do grande fotógrafo da colônia Martti Aaltonen, pai do Timo, o simbolismo daquela imagem histórica talvez fosse ainda maior do que o tanto que ela já diz sobre a natureza, nos dois sentidos, de uma das mais extraordinárias experiências migratórias de toda a história brasileira, quiçá mundial.

Esta experiência, levada a cabo por um grupo de pessoas que saíram das cercanias do Círculo Polar Ártico para empreender no Hemisfério oposto uma “viagem em direção à magia do trópico” — título do livro em que o idealizador e fundador da Colônia Finlandesa de Penedo, Toivo Uuskallio, expõe os ideais que nortearam aquele impulso migratório — esta experiência, dizíamos, teve na rainha das frutas tropicais, a manga, um dos símbolos mais fortes da relação dos colonos com a nova terra.

O cultivo de laranjas foi muito importante nos primeiros anos da Colônia Finlandesa de Penedo. A venda de mudas de laranjeiras para a Baixada Fluminense foi durante alguns anos o principal meio de sustento da colônia. Entre os anos de 1935 e 1939 Penedo “exportou” nada menos do que um milhão de mudas para abastecer os laranjais da baixada. A época das laranjas, entretanto, perdeu fôlego com a queda brusca da demanda pela fruta no mercado internacional por causa do estouro da Segunda Grande Guerra, o que desencadeou um processo de profundas mudanças em Penedo que terminaria por desembocar na ascensão do turismo como principal atividade econômica da vila. Mas essa é uma outra história.

Foi, entretanto, com a mangueira e a manga — imigrantes tal e qual os finlandeses, porque não são originárias de Pindorama, tendo sido trazidas da Índia pelas naus de Portugal — que os nórdicos aportados nos trópicos construíram uma história toda especial, fazendo-as árvore-símbolo e fruta-símbolo da “Finlândia brasileira”, ou do cantinho mais finlandês do Brasil.

Mangueiras, jabuticabeiras e capim gordura

Existem muitos relatos escritos pelos pioneiros da Colônia Finlandesa de Penedo falando sobre a frustração de, ao chegarem aqui, encontrarem os rebotalhos de uma terra castigada pelo cultivo do café, um vasto campo verde de um tom só, o tom do mato rasteiro, em vez do Éden de árvores de toda espécie e frutas de toda sorte insinuado pela propaganda de Penedo na Finlândia.

A saudosa dona Eva Hilden, fundadora do Museu Finlandês de Penedo e que chegou aqui ainda criança, em 1929, na terceira leva de imigrantes finlandeses, conta em seu livro autobiográfico que em seu primeiro dia na colônia a dona Liisa Uuskallio, esposa de Toivo Uuskallio, ofereceu-lhe laranjas doces e saborosas. Ela diz que ficou muito animada com a possibilidade de chupar laranjas todos os dias na nova terra. Mas…

“Alegrei-me cedo demais, pois logo descobri que Penedo não tinha laranjas nem outras frutas”.

Isso, claro, foi antes da época do plantio das laranjeiras. A salvação da lavoura, sem trocadilho, foram as jabuticabeiras e mangueiras que se concentravam sobretudo em torno da casa grande da fazenda, e de onde os finlandeses tiravam boa parte dos ingredientes para o preparo do desjejum, almoço e jantar daqueles primeiros tempos de moradia e refeições coletivas no velho casarão.

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Colonos reunidos sob a fronde de uma velha mangueira no terreiro do casarão da Fazenda Penedo. À esquerda, o fundador da única colônia finlandesa do Brasil, Toivo Uuskallio, apoia no colo um kantele, tradicional instrumento musical da Finlândia.

Conta ainda a dona Eva:

“Vimos um bosque de árvores bonitas e aprendi o nome engraçado delas: ‘jabuticabeira’. Papai contou que mais tarde teriam frutas gostosas e que as mangueiras também dariam frutas dentro de alguns meses. Além destas, não haviam outras árvores nem plantas, só morros vazios cobertos de capim gordura. Depois da era do café, Penedo tinha sido fazenda de gado e todos os morros tinham sido preparados para pastagens”.

Mas foram os finlandeses entrarem para as vacas saíram de Penedo. Toivo Uuskallio mandou retirar todo o gado da fazenda assim que assinou o contrato de compra da terra com o Mosteiro de São Bento. Não consta em qualquer registro histórico que Uuskallio tenha mandado o rebanho pastar em outras paragens por conta de alguma superstição bem brasileira prontamente absorvida pelo um tanto místico líder finlandês, como as conhecidas esconjurações acerca da muito perigosa mistura de manga com leite. Não. Uuskallio era um vegetariano, digamos, fundamentalista, e na colônia ainda em sua fase utópica não podia ter carne na mesa, na casa onde ficava a mesa ou na propriedade onde ficava a casa.

Mango Chutney, a estrela da companhia

Em depoimento publicado quando dos 50 anos da colônia, em 1979, a própria Lisa Uuskallio conta um pouco sobre as dificuldades enfrentadas pelas senhoras imigrantes dos primeiros anos para colocar comida na mesa:

“Não entendi como os antigos habitantes dali viviam, pois não se via horta em parte nenhuma. Só alguns pés de milho. Eu era a primeira dona de casa finlandesa na cozinha da fazenda quando chegaram alguns finlandeses para conhecer a propriedade. Aí precisei pensar muito sobre o que botar na panela. Não me lembro agora o que cozinhei. Na Finlândia, fomos acostumados a ter tudo à mão. Estava preocupada com como e o com o que cozinhar. Eu estava esperando nosso primogênito e tinha uma estranha vontade de comer arenque salgado, o que era impossível por ser comida proibida, pois éramos vegetarianos. Infelizmente tivemos que passar por todos os infortúnios, mas não morremos de fome”.

Durante a época das mangas a fruta era a base da alimentação dos finlandeses vegetarianos de Penedo, e as mulheres finlandesas colocavam sua criatividade à prova criando estratagemas culinários para adaptar à nova realidade sua sabedoria sobre os pratos à base de frutinhas silvestres da Finlândia. Surgiram então as primeiras receitas à base de manga da Colônia Finlandesa de Penedo. Era um tal de geleia de manga sobre o pão no café da manhã e no lanche da tarde, sopa de manga à noite e suco de manga para dar um refresco na lida do dia-a-dia. Todos os dias depois do almoço tinha o manga-kiiseli, uma sobremesa cremosa feita com mangas, açúcar e fécula de batata.

Mas o carro-chefe produzido por este encontro inusitado entre finlandeses e mangueiras no pé da serra da Mantiqueira ainda estava por aparecer, e só foi criado tempos depois do fim da “ditadura” vegetariana em Penedo, saindo da panela pela primeira vez em meados da década de 1950, quando as mangueiras já estavam por toda parte, plantadas pelos próprios colonos a partir de mudas e sementes oriundas das velhas mangueiras do casarão. Ou seja: os finlandeses “povoaram” a velha fazenda com mangueiras por todos os lados, ao contrário do que a “overdose” inaugural de geleias, sopas, sucos e sobremesas de mesmo gosto poderia fazer crer.

Por aqueles idos, Helmi Lindell, uma das proprietárias do então recém-inaugurado hotel Chácara das Duas (atual hotel Pequena Suécia), valeu-se dos seus profundos conhecimentos sobre molhos agridoces ingleses — inclusive chutneys, inclusive de manga — e daquela abundância de mangueiras por todo o Penedo para criar um acompanhamento diferenciado para os pratos de carne servidos aos seus hóspedes. Helmi juntou vinte diferentes ingredientes e levou ao fogo. Foi quando surgiu o famoso “mango chutney” de Penedo.

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Hoje, 60 anos mais tarde, este condimento artesanal ainda é encontrado nas mais autênticas pousadas de Penedo (a pousada Arboretum, por exemplo, tem disponíveis para seus hóspedes levarem para casa potes de chutney preparado com a receita original da Chácara das Duas), nas lojinhas de doces e afins, integrado a receitas especiais nos melhores restaurantes da vila, acompanhando petiscos típicos finlandeses nos bailes típicos do Clube Finlândia e mesmo em sanduíches temáticos com apelo na colônia, como o Canela Finlandês, do bar Pé de Canela, que fica no centrinho de Penedo: 150 gramas de carne, queijo emmenthal, panceta, picles, alface americana e ele, o chutney de manga.

A finlandesa da mangueira número 15

Dizem, entretanto, que alguns dos melhores chutneys de manga feitos em Penedo não estão à venda. É o caso dos chutneys da dona Inkeri Laaksonen, uma senhora finlandesa de 80 anos de idade que veio parar no Brasil alguns anos depois da segunda guerra mundial porque o marido não queria estar por perto da Europa caso estourasse uma terceira.

A pequena produção de chutney da dona Inkeri já enriqueceu o café da manhã de muitos hotéis e pousadas de Penedo. Hoje, é para consumo interno: dela própria e das suas filhas.

Em Penedo, dona Inkeri se instalou numa casinha branca com uma horta nos fundos e um gramado verdinho na frente, bem à margem da avenida principal da colônia, bem no meio de uma reta onde existem nada menos do que 18 mangueiras plantadas em sequência, a poucos metros de distância uma das outras. É de uma delas, a que fica colada no muro da sua casa, que dona Inkeri colhe as mangas bourbon que nesta época no ano enchem bacias e vasilhas espalhadas pela cozinha prenunciando paneladas de chutney fresquinho. É a mangueira número 15 da avenida das Mangueiras.

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Dona Inkeri Laaksonen caminha para nos abrir o portão. No alto, duas mangas ainda verdes que mais cedo ou mais tarde vão para a panela virar chutney.

Por trás da aparente loucura, do latente idealismo, das inegáveis ilusões que marcaram a aventura migratória dos pioneiros de Penedo havia um projeto de colônia delineado de forma um tanto sistemática, por vezes pretensamente científica, quase planejado em seus mínimos detalhes. Pelo menos na mente do controverso Uuskallio, onde fervilhavam ideias mais ou menos realistas acerca de sua viabilidade prática, técnica ou financeira.

Em seu livro sobre a história de Penedo à luz da formação urbana da vila, o arquiteto e descendente de finlandeses de Penedo Sergio Fagerlande mostra que uma dessas ideias era transformar um antigo caminho de roça que cortava a fazenda em uma estrada de linha reta que ligaria o casarão à antiga estação de trem de Marechal Jardim, em Resende, a fim de escoar a produção agrícola da colônia.

Sem dinheiro para transpor com tantas pontes as tantas curvas que o ribeirão das Pedras faz, sem meios para cortar os morros que se erguiam como estorvos no caminho da estrada idealizada por Toivo Uuskallio, a via utópica da colônia idem acabou ficando pela metade, ou nem isso.

Mas ficou: hoje, quando às sextas-feiras os turistas começam a chegar sem parar e vão diminuindo a marcha quando fazem a curva da ponte do formigueiro, a poucos metros do centrinho de Penedo, a grande reta que veem à frente é, literalmente, coisa de finlandês.

Já as mangueiras que dão nome à avenida foram plantadas a mando de um outro Toivo, o Sïpïlä, antigo administrador da fazenda Penedo. Elas foram plantadas nos dois lados ao longo de toda a grande reta, formando um grande corredor verde, e não apenas no lado direito, como hoje se vê. Na década de 1970 todas as árvores do lado esquerdo da avenida foram cortadas para a chegada da energia elétrica em Penedo, e no início da década de 1980 a modernidade chegou para ficar com o asfaltamento. E assim, onde só passavam carroças, agora todos os dias passam todos os penedenses e toda a gente do Rio de Janeiro, de São Paulo e de todo canto que vem aqui nos visitar.

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Foto de Martti Aaltonen mostrando a avenida das Mangueiras na década de 1940: mangueiras nos dois lados da via em trecho onde hoje se veria da Pousada do Lago até o shopping Pequena Finlândia.

Esteri na Mangueira

Além de não sair da mesa, as mangas e as mangueiras também não saem da lembrança dos colonos quando recordam “causos” e histórias do passado. Em seu livro de memórias, a mais famosa artista da colônia finlandesa de Penedo, Eila Ampula, conta que pelos idos dos anos 1950 o Clube Finlândia era frequentado praticamente só por finlandeses. Os bailes, diz ela, eram muito animados, mas muitas vezes também terminavam em confusão: “Os meus patrícios bebem muito, tornam-se agressivos, brigam”.

Eila lembra, por exemplo, o dia em que Sylvi, a esposa de Ole Aartelo, mergulhou para dentro de um “bolo de homens” brigando no clube para tentar defender o marido, que estava apanhando. Naquele afã, deu uma baita mordida na perna de alguém, e acabou que era a perna do próprio marido. Mas é uma outra história desse tipo contada pela Eila que agora nos interessa:

Havia um casal, Esteri e Ossi, que sempre, no fim da festa, brigavam. Uma vez, depois dessa discussão calorosa, a Esteri sumiu. O baile acabou e todo mundo foi para suas casas. De madrugada, o Ossi bateu na minha porta (eu já tinha feito uma casinha para mim, com meu dinheiro). Ele estava apavorado porque a Esteri havia desaparecido e pediu ajuda dos finlandeses para procurá-la.

Só quatro pessoas toparam, inclusive eu. Procuramos em todas as casas. Por fim, chegamos ao atelier do Suni. Batemos na porta. Ele não quis abrir. Forçamos a porta, que cedeu. Ele protestou, mas entramos assim mesmo. Havia alguém embaixo dos cobertores. Levantamos eles, mas não era a Esteri, e sim outra mulher, Aini Sysimetsä, hóspede da Laura, esposa de Suni. Com o barulho que fizemos, a Laura acordou. O resultado é fácil de adivinhar.

Voltamos à casa de Ossi e lá estava a Esteri. Disse ela que havia estado trepada em uma mangueira o tempo todo. Do alto da árvore apreciando a confusão.

Foi uma época divertida.

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Desenho de Eila Ampula feito para ilustrar o ‘causo’ narrado em seu livro ‘Memória da Imigrante’.

As velhas mangueiras que já eram velhas 80 anos atrás

No seu livro, dona Eva Hilden recorda das “mangueiras velhas e frondosas” pelas quais ela, seu irmão, seu pai e sua mãe passaram quando foram com seus “roupões de pano felpudo, maiôs e calções” tomar seu primeiro banho no ribeirão, bem atrás da casa grande da velha fazenda, no dia em que pisaram em Penedo pela primeira vez.

Algumas dessas mangueiras ainda estão lá, 85 anos depois, no terreiro do casarão, preservadas com esmero, assistindo intactas a um minucioso — e precioso — trabalho de revitalização da propriedade levado a cabo pelo casal Mika Peltola e Soile Viitaniemi-Peltola.

Nos dois balanços pendurados em um galho da mais linda daquelas velhas mangueiras brincam hoje os filhos de Mika e Soile, os pequenos finlandeses Erik e Iara, repetindo outros pequenos finlandeses que, como mostram antigas fotografias, balançavam-se naqueles mesmos galhos, fazendo, com a alegria dos seus voos curtos sob a sombra da mangueira da terra distante, a jornada de coragem e devaneios dos seus pais ter valido toda a pena.

Ainda hoje alguns penedenses, finlandeses e brasileiros, lembram-se bem da época em que, na infância, as senhoras finlandesas mandavam ir aos quintais e estradas catar mangas para o preparo do chutney.

Sempre que veem um pote de chutney lembram-se, com toda nostalgia que houver nessa vida, da época em que eram crianças livres em um Penedo onde o cheiro de terra molhada misturava-se ao do eucalipto da sauna, que se misturava ao cheiro da lenha queimada nos fogareiros, que se misturava ao inesquecível aroma agridoce que nos dias mais quentes de janeiro emanava das bourbon verde e amarelas que os vendavais derrubavam ao chão.

Como na canção de Ary Kerner Veiga de Castro imortalizada na voz de Inezita Barroso:

“Na serra da Mantiqueira, sob a fronde da mangueira, que ela em moça viu plantar, sentadinha no seu banco, trançando o cabelo branco… Ela vê os belos dias, de venturas e alegrias, que jamais hão de voltar”.

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Pequena finlandesinha brincando em balanço pendurado em uma mangueira ao lado do casarão dos finlandeses na década de 1930.
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Pequeno finlandesinho brincando em balanço pendurado em uma mangueira ao lado do casarão dos finlandeses já na segunda década do século XXI.

Esqueça a São Silvestre: o dia em que um campeão olímpico correu a rústica de Penedo

O senhor Barata é morador de Penedo já há 50 anos. Viu muita água passar sob as pontes do ribeirão, e também “finlandeses voadores” passarem correndo pelas ruas e estradas da vila, quando elas ainda eram de chão. Ele conta que nos anos 1970, sempre que o rigoroso inverno da Escandinávia começava a mostrar a que vinha, criando condições um tanto inóspitas para corridas de dezenas de quilômetros nas pistas, florestas e parques da Finlândia, era na Colônia Finlandesa de Penedo que os corredores finlandeses de média e longa distância vinham treinar.

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Biólogo alerta para riscos de queimas de fogos em Penedo

Sai ano, entra ano, e justamente na “hora da virada” é que o problema se repete: hotéis e restaurantes da Colônia Finlandesa de Penedo insistem em promover queimas de fogos em suas festas de réveillon. Logo em Penedo, parque turístico-ecológico e vila natural incrustada no bioma da Mata Atlântica, vizinha de porta, por assim dizer, do Parque Nacional do Itatiaia, primeiro parque nacional do Brasil.

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Penedo entra para história de uma das mais antigas tradições de Natal do mundo

O ano de 2014 foi de intensas relações bilaterais, por assim dizer, entre a Colônia Finlandesa de Penedo e a cidade de Turku, a mais antiga da Finlândia, Capital Europeia da Cultura em 2011, distante 150 quilômetros a oeste da capital do país, Helsinque.

Em outubro, Penedo recebeu o grupo Turun Kanssantanssin Ystävät, os Amigos da Dança Folclórica de Turku, que veio da Finlândia a convite do PKY (Penedon Kanssantanssin Ystävät, os Amigos da Dança Folclórica de Penedo) para alguns dias de confraternização entre estes e aqueles amantes das polkkas, valsas e jenkkas, cujo ponto alto foi uma noite de gala no Clube Finlândia, em uma edição para lá de especial do Baile Finlandês de Penedo. Agora, em dezembro, é também de Turku que chega uma mensagem de Natal também para lá de especial dirigida à colônia — aos finlandeses, descendentes, moradores de Penedo em geral, empreendedores da nossa vila e aos turistas que nos visitam na temporada de fim de ano.

Esta mensagem é histórica. Deixe-nos contar por quê.

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