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Toivo Uuskallio I Imprimir E-mail
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12 de February de 2007

Uuskallio: Um Ecologista em 1927- ("Nariz da Índia" - Janeiro-Fevereiro/98).


 

Toivo Uuskallio foi um finlandês idealista e místico que, no final dos anos 20, ainda sob o impacto dos horrores da Primeira Grande Guerra, convenceu algumas dezenas de compatriotas a imigrarem para o Brasil para aqui fundarem uma colônia agrícola-vegetariana. Ele pensava que assim poderiam ser criadas pessoas que não agredissem a natureza e que vivessem em paz. Muito se fala sobre as idéias de Uuskallio, mas nunca ouvimos a palavra dele. A novidade que essa edição do "Nariz da Índia" apresenta aos leitores é exatamente a palavra de Toivo Uuskallio - sua concepção religiosa, suas idéias sobre agricultura (pautadas pela preocupação de equilíbrio ecológico), seus argumentos a favor da dieta vegetariana, contra as campanhas de vacinação, suas observações curiosas sobre a cidade do Rio de Janeiro daquela época.

Tudo escrito de próprio punho, num caderno, durante a primeira viagem para o Brasil, em 1927. No ano seguinte, com uma sugestiva capa mostrando palmeiras à beira mar silhuetadas contra a lua e o título de "Na Viagem em Direção à Magia do Trópico " o livro seria editado na Finlândia como parte da campanha para conseguir adeptos para a colônia. Em seu país, Toivo já publicara dois outros trabalhos - um sobre agricultura e outro sobre suas visões paranormais. Nada havia sido traduzido para o português, até que, no ano passado, o arquiteto Alva Athos, atual presidente dc Clube Finlândia e filho de um dos três amigos que fizeram a viagem com Toivo em 1927, resolveu traduzir as anotações de viagem, que certamente serão publicadas em breve.

Procuramos aqui mostrar ao leitor alguns trechos do livro mais significativos da maneira de Uuskallio ver o mundo, separando suas opiniões por assunto. Não há como negar sua inteligência. Foi um ecologista antes de a palavra existir. Mas possivelmente um certo destempero desta inteligência tenha atrapalhado seu modo de lidar com as pessoas. Porque, apesar de seu misticismo, das mensagens que recebia, e de forte sentimento poético, ele colocava tudo em termos de extrema racionalidade - do modo de comer ao modo de encarar o sexo - e, como sabemos, a natureza humana não age pelas motivações racionais. Uuskallio não compreendia essas motivações irracionais e muitas vezes terminava seus parágrafos escrevendo: "coitado desse mundo..."


 

Livro inédito no Brasil revela a densidade espiritual do fundador da colônia finlandesa em Penedo

 

 

Toivo Uuskallio

O Chamado - "Eu tinha recebido um chamado para deixar a terra natal e emigrar para o Sul longínquo. O chamado era extraordinário pelo fato de que chegou de noite e sem emissário aparente. A mensagem chegou à alma e acordou o meu consciente, que tinha planejado outras atividades para o futuro próximo(...) A nossa intenção de partir, tendo ficado conhecida, despertou grande interesse no nosso círculo de relações. Certamente na cabeça de muitos eu era completamente doido ao inventar esse tipo de coisa(...) Não era assim de espantar que fosse submetido a muitos sermões e censuras. Talvez achassem os mais sábios que eu já estivesse de miolo mole. Certamente tudo isso era verdadeiro e merecido, e a mim se ajustava, e assim o recebi como parte do aperfeiçoamento do meu ser terreno, do coração às 'partes baixas'. Felizmente ainda restou alguma coisa íntegra e intocável. Era a confiança na veracidade do chamado recebido(...) Para grande alegria minha encontrava também amigos cujas mentes estavam o bastante liberadas da rígida ideologia da vida mundial, e que conseguiam compreender e se ajustar ao que antes nunca chegou a existir no âmbito de suas idéias."

O Amor à Finlândia - "Os dois anos que tinham decorrido do chamado à partida, passei, além de escrever, também me deslocando para vários pontos do país, como já mencionei antes. Eu tinha vontade de me familiarizar com todas as espécies de tendências econômicas, ideológicas e espirituais da terra natal, de modo que ficasse na mente um retrato atualizado e nítido da vida da nossa sociedade naquele momento(...) E também não ficassem, ao viajar, ocultos dos olhos os horizontes dos lagos azuis(...) Após partirmos, pedirão os nossos olhos muitas vezes para vos rever, ó milhares de lagos! As suas imagens se fixaram nas retinas de nossos olhos, e isso exige a sua união. Mais sagrado que o pedido dos olhos é, no entanto, o anseio do espírito à união com seu Criador. Quando isso acontece, até os olhos se contentam com menos.

Que pelo menos sobrevivessem aqui as ondulantes florestas! Elas e a terra da Finlândia se pertencem, são unas! Se forem abatidas essas belas florestas de bétulas de suas ilhas e promontórios, essas belas florestas de abetos de seus domínios e os pinheiros de seus cumes - o que será da Finlândia então? Seus cumes pedregosos e rochedos dirão então: A geração irresponsável nos levou a cobertura vegetal, roubou o celeiro de ouro e, gozando de forma dissoluta, liberou a presa. Inehmo chora. As crianças não têm pão... As dádivas dos campos se esgotaram, pois não há mais a floresta. Agora chega a geada, pé ante pé, das margens do mar Ártico para cá. O vento sul lambe as neves dos invernos. A terra está escorregadia e há enchentes na primavera. A semeadura na terra é queimada pela seca. Os ventos secos não têm mais barreiras...

Assim nos contou a terra. Sem as matas está violentada a Finlândia. Reflita sobre isso todo homem da Finlândia e também toda mulher, que para seus prazeres desperdiça o ouro das florestas.

Onde Deve Viver o Homem ? - Tinha-se lido e ouvido a respeito da terra. Será que seria tudo assim mesmo? Tinha-se dito que o clima quente não era adequado aos filhos do frio do Norte: ele entorpece o sistema nervoso, produz feridas climáticas e torna todas as pessoas moles de um modo geral. As pessoas do Sul são ociosas, não gostando de qualquer atividade. Será que o homem teria pois, desde o início, sido destinado para as margens do mar Ártico ? Deveria ser assim, se ele não se sente à vontade no calor. Será que o homem não seria um filho do Sul ? A palmeira existe no sul e não se dá no Norte. A bétula é do Norte e não se dá no Sul. As leis existem. Os reinos animal e vegetal se distribuíram sobre o globo, em zonas conforme suas condições de vida. O homem também deveria ter sua zona de nascimento original, onde ele com certeza se desse bem. Será que ele é filho do frio ou do calor?

A Certeza da Verdade (em diálogo com um amigo):

- Sair daqui, de condições organizadas, para essa confusão de aventureiros, Isso na verdade não entendo!

- Você não entende agora - talvez nem mais tarde. Pois a vida é governada e dirigida e não sujeita ao acaso. Cada um tem no entanto de viver seu papel. Os que ouvem seu chamado têm sua vida à margem de aventuras(...)

- Por que você vai?

- Porque lá não tem para mim nem mais nem menos do que aqui.

- Sem propósito então ?

- Não, somente por dever(...) O dever não contabiliza as coisas a receber, mas vive de tarefas a realizar. Mas é hora de partir, o trem chega...

- Adeus! Volte se não se der bem por lá!

- O meu bem estar não é lá, é aqui.

- Isso também acho!

- ...no meu íntimo, quis dizer.

A Vontade de Outro Desenvolvimento - Vamos num trem rápido em direção a Hamburgo. A viagem transcorre sobre planícies quase que inteiramente sem florestas(...) É de tarde. Nas lavouras a perder de vista, não se vê praticamente ninguém. Vem a pergunta: Onde está o povo desta terra, povo que se diz não ter terra ? Será que a terra não pode ser habitada de forma mais densa e cultivada de forma mais mecanizada que na beira desta estrada? Por que é indispensável que aqui haja tão poucos habitantes?

Essa pergunta se repete ao nos lançarmos na enchente humana de Hamburgo, de aperto incomum e zoeira, onde o terreno nem é suficiente para se circular, pois além de ter que se utilizar o nível do terreno, também se tem que fazê-lo debaixo da terra e no ar, e onde se vive em dezenas de andares e se sofre com o desemprego. O que obriga a isso? A falta de terra?

Chegam à mente os pejorativos dados pelos citadinos aos homens do campo: "capiau", "matuto", vira-bosta", "mão de verruga". Eles não gostam disso, nem seus filhos. Eles se enrubescem de vergonha ao chegarem, rudes e ignorantes, junto aos 'ambientes civilizados'. Também eles querem se desenvolver, ganhar mais e se vestir bem. Os pais ajudam nas iniciativas de seus filhos. Isso toca na economia. O desenvolvimento dirige os filhos para as cidades. O campo se esvazia. As cidades crescem e adquirem muitos andares. A lavoura se enfraquece. Vem a escassez da terra.

Por quê ? Por que seus lavradores são desprezados(...) Devia se combater o desprezo pelo camponês. Ele é uma das facetas da falta de amor pela mãe pátria. E isto suscita a falta artificial de terra e suas conseqüênias ruinosas. Inehmo não permite que seja ultrajada a criança mais fiel de seu regaço.

Espanto na Escala em Portugal - O nosso navio recebia também uvas como carga, embaladas em pequenas barricas.

- Para onde são levadas? perguntamos.

- Para o Brasil, foi a curta resposta dos supervisores do carregamento.

- Para o Brasil ?? São enviadas uvas para a terra das frutas?

- Sim, lá não são plantadas em quantidade suficiente, para lá são levadas da Europa e dos Estados Unidos muitas outras frutas: maçãs, pêras, ameixas, pêssegos etc e elas lá não são baratas.

- ???

- Sim, sim, talvez não tenham encontrado em outro lugar frutas tão caras como vão encontrar nas casas de frutas do Brasil, continuou o homem ao perceber o nosso espanto.

- Também as frutas brasileiras?

- Sim, especialmente elas, a não ser bananas e laranjas. Mas essas são consumidas principalmente pelos negros. Se os demais mortais comem lá bananas, chamam-nos logo de negros.

Hhmm, isso parece alguma coisa... O que diria Taylor disso?(...) Há algo de pouco comum numa situação dessas. Mas quem paga aos gourmets do Rio suas frutas dispendiosas? Será que não é a adiantada Europa com seus banquetes de café e seus salões de fumar ? Coitado deste mundo!

Revolta nas Ilhas Canárias - (...) Ao acordarmos, subimos rapidamente ao convés para observar. Como parecia a costa? Desnuda, totalmente desnuda. Nem uma folha havia para esconder aquela vergonha(...) É assim que ocorrerá o contato humano mais prolongado em todos os lugares? É cultura transformar a terra num deserto? É esse o sentido que parecem indicar as descobertas de antiguidades nos desertos(...) Por que os povos mais cultos da Europa desertificaram completamente milhares de ilhas na Polinésia, aquelas ilhas cuja beleza natural e grande fertilidade fez com que em outros tempos os poetas europeus cantassem hinos do paraíso?(...) Por que as assaltaram, levando sua cobertura vegetal, transformando-as em áreas pedregosas sem chuvas? Será que o seu produto - principalmente um pouco de tabaco, café e chá para a desfrutante Europa - correspondeu ou compensou tamanha destruição?(...)

Vegetarianismo (trecho extraído de um diálogo no navio) - O alimento vegetal não pode de maneira nenhuma ser menos completo que o preparado de produtos animais, mas exatamente o oposto(...) Porque todos os produtos animais são decorrentes de produtos vegetais. Não acredito que o organismo humano possa de maneira alguma complementar o alimento vegetal que se transformar em produto animal(...) O leite da vaca é extremamente adequado para seus bezerros e o leite materno para as crianças que mamam, e o leite de cada mamífero para os seus próprios descendentes(...) O leite é um alimento de crianças de peito, muito diluído para adultos. Estes necessitam de hidratos de carbono e gordura com mais abundância em sua alimentação. Nozes, frutas e cereais, assim como tuberosas e verduras são alimento excelente para adultos.

Cristo e Reencarnação (trecho extraído de um diálogo no navio)

- (...) O Senhor fala de um único mestre, Cristo, que é a fonte de vida e crença. Por quê?

- Porque os seus ensinamentos contêm todos os ensinamentos a respeito de Deus, dos mestres que o antecederam, e porque a vida de Jesus representou completamente Seus ensinamentos. Seu sacrifício o completo amor(...) Não careço mais do que daquele que come os frutos da árvore mais nobre e não precisa comer todos os frutos utilizados no seu aperfeiçoamento para se saciar. Ele obtém o conteúdo desses frutos através desse único. Também para o desenvolvimento de uma árvore nobre a partir de um tronco selvagem, talvez seja necessário apenas um galho de uma árvore nobre, que pode ser retirado da melhor árvore conhecida. Se utilizarmos vários galhos de árvores nobres e os enxertarmos no mesmo tronco, a árvore se tornará fraca.

- (...) O senhor acredita na reencarnação?

- Acredito no renascimento(...), porque somente o renascimento dá ao homem a vida no Espírito da verdade, o mesmo que inúmeras reencarnações procuram atingir. O renascimento é a volta como criança, através de um único Mestre. A encarnação é envelhecer com os ensinamentos de muitos mestres. O anterior é mais simples, e ele compreende uma eterna e maravilhosa qualidade infantil, onde a orientação do homem ocorre por um caminho interior, e o mestre se encontra próximo em todas as ocasiões.

- O senhor ora?

- Quando isso acontece, percebo que então nem orei. Apenas desejei alguma coisa cuja obtenção não era indispensável. Uma verdadeira oração já incorpora sua plenitude através da fé, que é inerente à oração.

Crença e Religião - A religião é no meu entender um mentor externo e guia para o caminho de uma vida religiosa interior. A crença deveria ser, em relação a cada indivíduo, o resultado do propósito alcançado pela religião (...) O aspecto exterior da religião, o preenchimento das formas, é necessário para os que acham necessário. Para aqueles que encontram na crença o abrigo de uma vida interior, não vejo as formas como imprescindíveis. Suas vidas são o bastante para refletir sua crença(...) Àqueles que crêem caberia, com a vida transbordante de amor e justiça, da falta de necessidade das formas àqueles que nelas ainda se apóiam.

Fernando de Noronha - Já consegui ver os contornos das ilhas. Nelas há alguma coisa jamais vista por nosso olhos(...) Todo o arquipélago é verde, de um luxuriante verde escuro, mesmo até o último pico. As calvas e áridas pedras estão cheias de vegetação, verde e suntuosa como no melhor jardim. Que visão maravilhosa! A completa realização de nossa imaginação! Até as rochas florescem sem a ajuda humana. A terra frondosa, por outro lado, está deserta onde o homem 'ajudou' a natureza, como vimos nas ilhas Canárias. As imagens paradisíacas dos mares do sul são pois verdadeiras. Aqui o vemos. A montanha está vestida como a noiva da primavera.

Recusa à Vacinação no Navio - (...) Pois a eficácia da vacina se baseia no fato de que as bactérias do pus do bezerro se alojam no organismo humano. E como isso pode ocorrer somente num organismo sem defesas, a vacinação de modo geral quer dizer que pessoas fracas são contaminadas com pus de bezerro contendo bacilos de varíola. Em sua sujeira existem também aquelas bactérias que destroem as da varíola, mas tudo que lá existe é danoso ao organismo humano. O sangue humano não necessita de nada que lá existe. Ele não precisa de pus, mas apenas de matéria sadia como alimentos e hábitos sadios de vida(...).

Assim pensamos e decidimos de nossa parte nos recusarmos a ser vacinados no navio(...) Este perigo da vacinação foi indicado com a maior clareza por profunda pesquisa realizada durante 20 anos pela comunidade médica inglesa, pelo que eles foram obrigados a retirar a vacinação obrigatória dos ombros do seu povo.(...) Na limpeza está a salvação da vida. Nela se inclui a castidade. Isso já aconselha como refúgio a todos os homens qualquer mente sadia.

Na Alfândega - Fomos à Alfândega buscar nossos pertences. E lá estava tudo, tanto as arcas quanto as malas, e o carregador tomando conta. Nada extraviado! E como tínhamos duvidado e hesitado! Coitado de você, homem miserável que duvida, que nunca foi enganado em nada e, mesmo assim, duvida dos agentes que cuidam de suas obrigações, ajudando assim com a força de seu pensamento a levá-los ao caminho do crime. Pois há o pensamento 'você pode tirar', o mau espírito no ouvido da pessoa sujeita à tentação, quando por outro lado a crença 'você não tira' é o respaldo da consciência para o servidor da confiança. Escreva pois cem vezes, como castigo, no fundo do seu ser, seu cabeça dura, eu acredito nas pessoas!

O Centro do Rio - Em quase todo prédio de esquina existe no andar térreo um botequim. Este é separado do movimento da rua apenas pelos pilares. O movimento neles é grande. No entanto, não se encontram bêbados(...) Negros aparecem em grande quantidade como trabalhadores. Negras caminham com as bochechas vermelhas, o nariz branco de pó de arroz e o pescoço preto.Parece um pouco cômico - naturalmente porque não se está acostumado a isso. As bonecas de carne e osso brancas, cujos lábios e sobrancelhas pintados claramente demonstram a habilidade ou inabilidade, poderia igualmente fracassar se tentassem se empoar com uma base escura(...) Nas saudações na rua salta à vista que eles se abraçam e ao conversar instintivamente coçam as axilas e outras partes e membros, sem se importar nem um pouco com os presentes.

Avenida Rio Branco - Esta rua-parque é sem dúvida uma das mais elegantes que de modo geral se pode ver nas grandes cidades. Quando se caminha ao seu longo ou se toma assento por um momento nas mesas de calçada dos restaurantes que nela se encontram - e são muitos - para tomar uma água de côco especialmente saborosa, e se fica observando o movimento, parece realmente estranho relembrar todas aquelas histórias coloridas de medo e temor, que se tinha ouvido das condições desta terra primitiva e desordenada. Comparando com o que anteriormente observei em viagens ao exterior, não vi em lugar nenhum melhor ordem, tráfego mais fluente, abundância dos mais diversos produtos e pessoas vestidas na última moda, que ao longo desta avenida do Rio.

Copacabana - Copacabana, a conhecida e popular praia do eterno verão do Rio, com seus areais constantemente banhados pelas ondas do Atlântico, é um lugar encantador. Lá cabem de uma só vez, dezenas de milhares de pessoas, para nadar e banhar-se ao sol(...) Alguns se deitam na areias se tostando ao sol, outros jogam diversos jogos de bola. A maior parte fica no mar, com água pela cintura, e a sua brincadeira preferida é sempre após um pequeno intervalo descer nas cristas das ondas que vêm do oceano até a areia.

A Nudez Como Saúde (já trabalhando no interior do Estado, antes da compra de Penedo) - Certamente haveria desapontamento se a natureza aqui não permitisse a nudez, aqui onde justamente, devido às condições de temperatura, ela seria possível, e onde muitas vezes a vestimenta parecia sufocar, como nós bem tivemos a oportunidade de experimentar. Histórias sobre o aspecto destruidor do sol para o sangue pareciam mais propaganda da cultura de vestuário européia do que de fato verídico. Aqui para a terra dos índios nus o vestuário foi introduzido à força e por meio dele se estragaram tribos sadias. Aqui, onde por causa da alta temperatura o metabolismo é bem ativo, é o aprisionamento do subproduto da respiração da pele, o ácido carbônico debaixo do vestuário, extremamente insalubre, pois impede ao mesmo tempo a ação revigorante da luz do sol de atuar na pele. O vestuário aqui é como o semi envenenamento do urso ao cochilar em sua toca sob as raízes.O urso come no entanto um pedaço de piche para manter o frescor durante o sono hibernal. Mas o estômago do homem unívoro é como um monturo, cujos dutos que se racham os cirurgiões cortam e remendam como os sapateiros da fronteira o fazem com sapatos gastos.