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12 de February de 2007
ARTESANATO FINLANDÊS DE PENEDO

O artesanato finlandês de Penedo começou com os tapetes e tapeçarias tecidas nos teares manuais que as primeiras pioneiras finlandesas trouxeram consigo da Finlândia. Mais tarde o artesanato finlandês aumentou com os trabalhos em bucha vegetal, pintura em tecidos, velas, trabalhos em pedra e cerâmica, trabalhos em madeira e outras formas de artesanato.

TECELAGEM FINLANDESA

Os trabalhos em tear manual são muito difundidos na Finlândia. Nas décadas de 1950 e 1960, diversas senhoras, entre elas Maija Valtonen, Impi Jordan, Laura Suni e outras, começaram a vender seus trabalhos de tecelagem em pequenas lojas na frente de suas casas e deram início ao artesanato de Penedo.

Em seus teares elas fabricavam toalhas de mesa, jogos americanos, mantas, cachecóis, bolsas, tapetes e outros artigos para o lar. Os materiais utilizados eram bastante variados, além dos fios de algodão, linho e lã utilizavam sisal, ráfia, palha, bucha, taliscas de madeira, retalhos de tecido e todos os materiais que a imaginação permitisse. Hoje, ainda é possível encontrar artigos feitos no tear manual em diversos artesanatos de Penedo.

Na Finlândia a arte de produzir tapeçarias no tear manual é apresentada em diversas formas:


RYIJY

A tapeçaria tipo RYIJY é um dos trabalhos manuais mais tradicionais da Finlândia, onde vem sendo produzida há mais de 500 anos. O nome RYIJY se originou na palavra escandinava RYRU que significava pano grosso.

Os primeiros trabalhos utilizavam a lã nas cores naturais dos carneiros: branco, cinza e preto, mais tarde com o uso dos corantes vegetais começaram a aparecer o amarelo e alguns tons de vermelho, o verde e o azul eram pouco usados. Com o advento das anilinas os trabalhos passaram a ser executados em todas as cores.

Os desenhos usados na confecção do RYIJY eram inicialmente os motivos geométricos como quadrados e diamantes, as cruzes e corações também eram muitos usados. Os motivos tradicionais finlandeses representando a árvore da vida, as flores, principalmente tulipas e centáureas, pássaros e as figuras humanas estilizadas também eram muito comuns. Entre os animais os mais representados eram o leão e o veado. Hoje em dia muitos artistas preferem os motivos abstratos que podem simbolizar as florestas, os lagos, o mar ou o inverno.

O RYIJY era usado tradicionalmente na parede dos castelos como tapeçaria, como colcha ou cobertor na cama, no chão como tapete, como forro de sofás ou cadeiras e até como toalha nas mesas. O RYIJY pode ser ao mesmo tempo um objeto moderno e tradicional e se adapta perfeitamente na decoração dos ambientes modernos, clássicos ou rústicos.

Além das tapeçarias pesadas de lã tipo RYIJY, os finlandeses produzem as tapeçarias chamadas RAANU, um tipo mais leve de tecido de lã, sempre feito no tear manual.

Os desenhos da Carélia, região leste da Finlândia, ainda são muito usados como inspiração para o RAANU. As cores mais usadas eram o vermelho, preto e branco. Estes desenhos eram passados de mãe para filha, cada família tecia seus próprios desenhos, somente no início do século 20 os desenhos foram pesquisados em museus e reunidos em livros de trabalhos manuais.


TÄKÄNÄ

A tapeçaria TÄKÄNÄ é mais um tipo de trabalho finlandês feito com fios de lã no tear manual. Sua característica principal é o avesso com as cores invertidas, desta forma a tapeçaria pode ser usada dos dois lados, conforme sua preferência.


POPPANA

 

A POPPANA é mais um tipo de tapeçaria finlandesa tecida no tear manual. O urdume, ou seja o conjunto de fios longitudinais do tecido, é feito com fios de algodão. A trama ou conjunto de fios transversais do tecido, é feita com finas tiras de tecido de algodão cortadas enviesadas. O resultado é uma textura macia e agradável que pode ser usada em tapeçarias e muitos outros artigos..

Uma variação do POPPANA são os tapetes para o chão, feitos com urdume de fios de algodão e trama de tiras largas de diversos tipos de tecido. Os tecidos de diversas cores e padrões podem ser combinados em tiras formando um belo efeito conforme a criatividade da tecelã. Muitas mulheres finlandesas aproveitam as roupas e tecidos velhos para tecer tapetes para suas casas. Os tapetes coloridos tecidos pelas pioneiras finlandesas de Penedo sempre foram um grande sucesso nas lojas de artesanato.

 

ARTESANATO EM BUCHA

Diversas famílias finlandesas como os Toro, Tammela e outros, se dedicaram a plantar, colher e trabalhar a bucha durante as décadas de 1950 a 1970.

A bucha era colhida, seca, cortada, tingida, passada a ferro ou prensada e costurada para ser transformada em objetos diversos como bonés, chapéus, bolsas, chinelos, bonecas e outros brinquedos, tapetes e capachos, esfregões e luvas para banho.

Infelizmente os descendentes dos finlandeses não continuaram este trabalho e o artesanato em bucha não é mais vendido em Penedo.


KYNTTILÄ - VELA

As velas são fabricadas com cera, sebo ou outro produto que queima lentamente e um pavio fibroso. Elas estão entre as invenções mais antigas da humanidade, conforme pode ser observado pelos castiçais encontrados no Egito e Creta datando de pelo menos 3000 AC. Durante a Idade Média as velas de sebo eram muito usadas na Europa.

No século 19, foi produzida a estearina, com a qual foi possível fabricar velas de qualidade superior. Novos processos para fabricação de velas surgiram rapidamente. Foram encontrados mais dois materiais adequados: o espermacete das baleias e a parafina derivada do petróleo. Um composto de parafina e estearina se tornou o material básico para velas. As velas modernas são produzidas com ampla variedade de cores, formatos e tamanhos. As vezes se adiciona cera de abelha e essências perfumadas. Atualmente as velas são usadas para fins cerimoniais, religiosos ou decorativos, quem não aprecia um elegante jantar com luz de velas?

Os finlandeses apreciam as velas porque sua chama transmite uma sensação de calor e conforto durante as longas e escuras noites de inverno. A árvore de Natal finlandesa é sempre um pinheiro natural decorado com velas que são acesas na véspera de Natal. Luzes coloridas que piscam nunca são vistas em uma verdadeira árvore de natal finlandesa.

As velas começaram a ser fabricadas em Penedo na década de 1960, pelo casal Martti e Aili Aaltonen conforme as tradições finlandesas. As velas artesanais continuam sendo fabricadas pelos descendentes dos finlandeses conforme a técnica deixada por Martti e Aili e podem ser encontradas nas lojas de artesanato de Penedo.


PINTURA DE TECIDOS

A arte da pintura em tecidos foi iniciada em Penedo na década de 1970, pela artista finlandesa Birgo que, embora tenha permanecido pouco tempo em Penedo, nos deixou sua arte de pintar e estampar tecidos com motivos tradicionais finlandeses.

Diversas senhoras finlandesas tais como Eva, Helkka e Maarit, Maire, Impi e outras, continuaram o trabalho de pintura de tecidos iniciado por Birgo. Os motivos utilizados nas pinturas são os desenhos tradicionais finlandeses que eram usados nos bordados das roupas e tecidos antigos na Finlândia.

Outra técnica de pintura em tecido surgida em Penedo é o Batik de folhas utilizando folhas verdadeiras dos jardins de Penedo, os primeiros trabalhos neste gênero forma produzidos por Eva Hildén.

As pinturas artesanais finlandesas continuam sendo executadas em Penedo, pelos finlandeses e seus descendentes e podem ser encontradas em algumas lojas de artesanato.


ORIGEM DOS MOTIVOS FOLCLÓRICOS FINLANDESES


Os motivos decorativos das diversas culturas do mundo são bastante parecidos, afinal todos têm a mesma origem. Os motivos de flores, pássaros e árvores da vida usados com freqüência na Finlândia, já eram usados no Egito antigo de onde aparentemente se difundiram para a Pérsia e depois para a Europa e a Rússia. A Finlândia recebeu influência da Europa e da Rússia, a Carélia, região leste, foi mais influenciada pela Rússia e a região oeste recebeu mais influência da Europa

As mulheres finlandesas descreviam a sua vida e a história de sua família em seus bordados, compondo verdadeiros poemas. Grande parte dos motivos folclóricos são tirados da natureza.

As cruzes representam as orações e preces pela família e pelos amigos. Um ornamento muito comum é a HAKARISTI ou VÄÄRÄPÄÄ, um quadrado cercado por uma cruz, representando o sol como a origem da vida, a fertilidade e o sucesso.

A HANNUNVAAKUNA, uma cruz com braços do mesmo comprimento, com origem na Cruz de Santo Hans da Suécia, bastante usada na heráldica. Esta cruz aparece nos vasos gregos do século 8 AC, nos tecidos egípcios do ano 300, e nos trabalhos bizantinos. A KANNUKSENPYÖRA, estrela com oito pontas aparece nas tapeçarias coptas do ano 600.

Os animais mais representados são as aves, especialmente o pavão e a águia, na Finlândia os preferidos são as aves locais:

O METSO é a ave mais bonita das florestas nórdicas com a cauda em forma de leque, simboliza o mensageiro dos deuses, a alegria de viver, a liberdade, a esperança. As outras aves representadas nos bordados são o TEERI, KUKKO ou galo e KÄKI ou cuco. Enquanto as carelianas bordavam cantavam: "Helkyttele hietarinta! Vie viesti ilmojen perille!" - "Gorjeia minha avezinha prateada! Leva minha mensagem de agradecimento para o céu".

Outros animais são cavalos, leões e animais lendários como dragões. As aves com cauda levantada como os pavões aparecem pela primeira vez na Pérsia nos anos 800 – 900 e tornam-se comuns na Rússia, Hungria e nos Alpes. A ave com cauda aberta estendida para trás e asas abertas é mais comum na Finlândia.

A composição onde dois animais aparecem frente a frente aparece no Egito no 500 e nos leões micenos do ano 1250 AC. Com o tempo muitos animais representados aos pares acabaram se fundindo em um animal de duas cabeças, que teria força e poder em dobro, como a águia de duas cabeças usada na heráldica. Na Finlândia as aves são mensageiras da felicidade. Na Igreja uma ave representa o Espírito Santo. Para muitos povos a alma dos falecidos é um pássaro que pode visitar os vivos.

Os cavalos eram usados na Pérsia nos anos 600-700. Muitas vezes os cavalos eram representados com os cavaleiros montados, as vezes levavam falcões de caça nas mãos. Para muitos povos os mortos eram levados para o outro mundo montados em cavalos. As figuras se modificam com o tempo e na Finlândia aparecem figuras de homens montados em pássaros. As figuras humanas também podem se confundir com a montaria dando origem a seres fantásticos, meio homem, meio animal.

Os motivos de plantas foram usados nos tecidos do Oriente. O lírio ou flor de lis é muito usado por muitos povos. Na Finlândia a árvore da vida representada entre duas aves é muito comum. As vezes a figura humana representada entre as aves ou animais se modifica com o tempo e acaba se transformando em uma árvore.

ELÄMÄNPUU – Significa ÁRVORE DA VIDA e simboliza a vida eterna, o desejo de elevar-se às alturas, para o céu, embora, as vezes, alguns galhos apontem para o terra simbolizando as tristezas da vida.

Estes desenhos eram usados pelas mulheres da Carélia para decorar as toalhas chamadas de KÄSPAIKKA, usadas como toalhas de mão para as visitas e como decoração nas casas e nas igrejas carelianas. O enxoval de uma moça careliana incluía de 30 a 40 toalhas, mas o enxoval de uma moça rica podia incluir até 60 toalhas, todas diferentes e cuidadosamente decoradas com bordados e rendas feitos à mão.


KIRJONTA - BORDADO


O bordado, KIRJONTA em Finlandês, é usado por todos os povos para decorar roupas e tecidos. O bordado dá valor ao vestuário, é somado às jóias como mostra de riqueza, talento e beleza.

Na Finlândia os bordados e outras decorações já eram usados na antigüidade. Os trajes da região leste da Finlândia, a Carélia, eram especialmente ricos em bordados de diversos tipos. Na região oeste os bordados eram mais usados para decorar roupa de cama, mesa e banho, os bordados nas roupas eram menos comuns.

Na Carélia os bordados foram muito usados e desenvolvidos ao ponto de serem considerados como uma forma de arte junto com a poesia e a música. As mulheres carelianas contavam sua vida e a toda a história de sua famílias em seus bordados. Os desenhos eram passados de mãe para filha através das diversas gerações.

Os materiais usados nos bordados eram os fios de linho, seda, lã e algodão. As cores mais usadas eram o bordado vermelho ou azul sobre tecido de linho branco, mas outras cores também podem ser encontradas.